Pedro Afonso, count of Barcelos

Crónica Geral de Espanha (1344)

Excerpts from:
Crónica Geral de Espanha de 1344, vol. IV.
critical edition of the Portuguese text by Luís Filipe Lindley Cintra
Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa 1990.

Note: The Arabic numbers in the left point out the pages in the above mentioned edition.

3

'Casamentos das filhas de Afonso VI'
capítulo dxl

…Estas filhas todas tres casou el rei em huu dya cõ estes condes que ja dissemos e fezelhes tanta honrra que nom (/4) podya mais seer, ca em estas vodas foron feytos muytos trebelhos de justar e lançar a tavollado e outras muytas cousas que perteencem a fazer aos cavalleiros. Outrossi forõ em aquellas vodas todas maneiras de jograes, assi de boca como de pena.

E, feitas estas vodas muy ricamente e muyto honrradamente, como cõviinha a homeens de taaes estados como elles erã, el rei dom Afomso departio logo aos condes seud jenrros todo aquello que lhes avya de dar, segundo o que lhes avya prometudo em seus casamentos.

…Outrossi ao conde dom Ãrrique que era casado cõ dona Tareyja deulhe …Coymbra cõ toda a terra que elle avya em Portugal ataa o castello de Lobeira, que he aalem de Ponte Vedra …, e fezelhe, de todo, condado. E deulho cõ esta condiçon que, quando a elle comprisse serviço, que lho vehesse fazer cõ trezentos cavalleiros que entõ avya no condado de Portugal; e que fosse aas suas cortes cada que o elle mandasse chamar e, se allo nõ podesse hyr por embargo d'algua door, que entõ lhe envyasse os cavalleiros e alguu homem bõo …por caudel; e que ficasse obrigado pera sempre, qualquer que fosse senhor do dito condado de Portugal, a fazer este trebuto a todollos reis de Castella e de os servyr em alguuas cõquistas, se as fezessem aos mouros. …

…Em aquelle tempo era custume que todallas filhas dos reis eram chamadas raynhas e assi se chamava esta dona Tareyja. (referência ao facto de o conde D. Henrique nunca ter usado o título de rei, mas apenas 'duque' ou 'príncipe' e de Afonso Henriques só o ter feito após Ourique)

11

'casamentos de D. Elvira e de D. Urraca'
capítulo dxlvi

D. Afonso VI: …por que nõ avya filho que despois de sua morte herdasse o reyno e seu irmãao dõ Garcia era ja morto, casou sua filha dona Orraca Affomso cõ o conde Reymõ de Tollosa, que viinha dos Godos, por que era de muy alto sangue e ouvesse delle linhagem em Castella. E o conde ouve della dona Sancha e dõ Affomso, que foy despois emperador d'Espanha.

13

capítulo dxlix
Como el rei dom Afomso fez mudar ho officio dos Godos em Espanha

Conta o arcebispo dõ Rodrigo que, pella letera gotica, que he dicta letera dos Godos, fez traladar o salteiro, tornandoo ao officio de Roma e de França (/14) que he todo huu. E que o composera Santo Alexandre e era em aquela guisa guardado em toda a Espanha. E por que a raynha dona Costança, sua molher era frances, quisera desfazer o custume gotico. E el rey mandou dizer este feito a Gregorio papa, VIIº, para aver delle que o officio de Tolledo fosse leixado em Espanha e recebudo o de França.

…E, como vos ja dissemos que era võotade da raynha de tirar o officio toledano que era dos Godos, os clerigos que servyã este oficio forom ante o papa com os messejeiros del rei que os acusavã. E o papa fezeos officiar ante sy e schouos por boos officios e mandou que husassem cada huus de quaaes quisessem. E por isto ficarõ VI igrejas em Tolledo que som oje em dya deste custume.

15

'A rainha e o arcebispo quebram o preito'
capítulo dl
Como el rei dõ Afomso ouve grande sanha da raynha e do enleito dõ Bernaldo

…tanto fez a raynha ao enleito e o amoestou per pallavras, que elle tomou de noite hua grande companha de cavalleiros cristãaos e entrou em enna mizquita mayor de Tolledo e deytou ende fora todallas çugidades que hy estavã, per que louvavã Maffomede…

Os mouros, quando esto virõ, ouverõ dello muy grande pesar, por que lhes passarõ a postura que avyã com el rei dõ Affomso, e enviaronsselhe dello queixar. E elle, quando o soube, foy muy sanhudo cõtra a raynha e contra o enleyto …. E elle tragia em võontade de queymar a raynha e o enleyto, por que britarõ a sua verdade.

Os mouros procuram acalmar o rei, pensando que, se este agredir o clérigo os cristãos se voltarão contra eles e…

16

…Outrossi, se a raynha se por esta razõ perdesse, sempre o seu linhagem nos buscaria mal, em quanto o mundo fosse, e, despois dos vossos dias, cõ grande crueldade se vingaria este feito.

O rei fica satisfeito e perde a vontade de castigar a rainha.

…E el rei pos amor entre os mouros e a raynha e o enleyto.

18

'Disputa sobre a adopção do ofício romano'
capítulo dlii
Como el rey e a raynha queriã que fosse recebudo ho officio de Roma em Espanha

Conta a estorya que aquelle Ricardo …, que era legado em Spanha, cõtendya contra os clerigos, que recebessem ho oficio de Roma. E sobre esto forom huu dya ajuntados el rei e o legad e o primado, cõ muytos clerigos e todo o poboo da cidade, e contenderom sobre esto, poendosse os clerigos e o poboo contra el rei e contra o legado.

Decide-se tomar a decisão através de um duelo e vence o cavaleiro do povo:

…E o poboo fazia grande alegria porque vencera o cavalleiro que lidava por o officio tolledãao. Mas el rei, como era afficado da raynha, nõ se quis por aquello cõtentar, mas que fosse deitado o officio dos Godos e recebudo o romãao, dizendo que nõ era dereito de meter a batalha feyto da ley. E desto naceu grande discordya antre el rei e o poboo e os clerigos.

32

capítulo dlxvi
Como e por qual razõ passarõ os Allarves em Espanha

…Dito vos avemos ja em esta estorya de como el rei dom Affomso ouvera (/33) cinquo molheres, as quaaes avyã estes nomes: a primeira ouve nome dona Ynes; a segunda, dona Costãça; e a terceira, dona Beatriz; e a quarta, dona Ysabel; e a quinta, dona Branca. E, despois da morte desta, estãdo elle por casar, a esta sazon reynava em Sevilha huu rey mouro que avia nome Abuhabed e era homen de boos custumes e muy poderoso …. E avya hua filha muy fremosa donzella e de nobres custumes e avya nome Çayda. E amavaa muito o padre. E, por mais a honrrar e aver melhor casamento, deulhe todollos logares do reyno de Tolledo …cõ muy boas cartas e cõ bõo firmamento.

capítulo dlxvii
Como el rey dom Afomso casou cõ a Çayda, filha de el rey de Sevilha

El rey dom Affomso estando por casar …ouveo de saber a Çayda. E tanto bem ouvyo delle dizer que se namorou delle, e tanto foy sua namorada que ouve de buscar maneira per que ouvesse seu amor. E, como as molheres som sottis em as cousas que querem fazer, e el rei dom Afomso era hy preto que andava em sua cõquista, envioulhe ella dizer per seus messejeiros que tevesse por bem de a veer e que, se quisesse casar cõ ella, que lhe daria todallas villas e castellos que ella avya. E el rey dõ Afomso, quando esto ouvyo, prouguelhe muyto e mãdoulhe dizer que a hirya veer onde ella quisesse.

…E despois que a el rey vyo, foy muy pagado della, ca a vyo muy fremosa e de muy bõo doayro. E ouverõ seu fallamento em huu em que lhe ella disse que, se cõ ella quisesse casar, que o entregaria de todalas villas e castellos que ella avya.

34

E el rey lhe disse que lhe cõviinha de se tornar cristãa e ella disse que o faria muy de grado. …

O rei toma conselho com os seus homens, achando a união proveitosa para os seus planos de conquista. Eles aconselham-no a casar-se.

…E elle fezea logo cristãa e casou com ella.

Quando é baptizada, Çayda passa a chamar-se Maria. Nasce um filho, Sancho, que é dado a criar ao conde de Cabra.

114

'O rei pede ao Cide suas filhas para os infantes'

D. Afonso VI: …A segunda cousa, he por que vos peço vossas filhas pera os iffantes de Carriom, ca me parece o casamento ygual.

E o Cide respondeu:

Senhor, as minhas filhas são ainda muy pequenas pera casar. E nõ digo porem esto por que ellas nõ fossem muy bem casadas dos iffantes.

E el rei disselhe que nom posesse outra scusa nem hua, ca aquello lhe teria em grande serviço.

E o Cide disse:

Senhor, eu as geerei e vós as criastes; e eu e ellas somos em vossa mercee. Dadeas a quem teverdes por bem.

E, quando el rey esto ouvyo, prouvelhe muito. E mandou aos iffantes que beyjassem as mãaos ao Cide. E elles fezerom o que lhes el rei mandou. E logo, (/115) ante quantos ricos homeens estavam presentes, lhe fezerõ menagem, como fazem jenrros a sogro. E el rei tornousse ao Cide e disse:

Muitas graças, Roi Diaz, por que me destes vossas filhas para os iffantes. E eu as caso, ca vós nõ. E Deus mãde que ajades ende prazer.

E mandou que lhes dessem IIIc marcos de prata pera as vodas. E o Cide disse a el rei:

Senhor, pois foy vossa mercee de casar minhas filhas, que me dedes quem as tenha da vossa mão, e lhas dê.

E el rei mãdou entom a dõ Alvaro Fernandez, que era tyo das donzellas, que, logo que fosse em Vallença, as tomasse e as tevesse da sua mãao e que as desse por molheres aos iffantes de Carryom.

188

capítulo dclxxxvii
Como morreu dona Symhona Gomez

Aquando da morte da mulher do Cide, as suas filhas, Elvira e Sol, reunem-se para a cerimónia.

189

Dona Sol, cujo marido morrera já e que não houvera dele filhos, pede a Elvira e ao seu marido, o rei D. Ramiro, que lhe dêem o infante D. Garcia, que ella o criaria e herdaria en seus beens. E elhes outorgarõho e ella levouo cõsigo pera Aragõ e criouo ataa que foi grande mãçebo e que morreo seu pay el rey dõ Ramiro e alçarõ elle por ray de Navarra. Despois que foy rey, todo regimento e boa ordenãça do reyno que elle fazia, todo era por cõselho de dona Sol, ca ella era de boo entendimento e muito amiga de Deus.

196

D. Afonso VI cai doente e os condes e ricos-homens preocupam-se com a sucessão:

E, veendo os cõdes e ricos homens commo el rey era enfermo cõ tal enfermidade que avia de morrer, segundo lhe diserã os fisicos, e nõ leyxava filho que mãtevesse o reyno se nõ dõ Afonso, seu neto, que era filho do cõde dõ Reymõ de Tollosa, que era ainda muito pequeno, ouverõ seu acordo de dizer a el rey que casasse sua filha dona Orraca Afonso, que stava viuva, cõ o cõde dõ Gomes de Cãtespina, por que era mais poderoso que nen huu dos outros condes e regiria o reyno ataa que o moço fosse en tal hidade que podese mãteer o reyno. E, feyto, este cõselho, nõ foy nen huu per si atrevido de lho dizer nem ainda todos ajuntados, teendo que lhe pesaria de lhe dizeren que casase sua filha cõ seu vasalho e que os averia todos por homens de maao recado e que de hy en diãte nõ os chamaria a seu cõselho. E por esto erã mui duvidosos de lho dizer.

capítulo dcxcii
Como os condes fallarom com huu judeu seu conselho e lhe rogaron que o dissesse a el rey dom Afonso e como elle casou sua filha com el rey de Aragom

D. Afonso VI, maravilhado do judeu commo fora ousado de lhe dizer tal cousa:

…nõ pares mays ante mim, ca sabe por certo que, si o fezeres, que te mãdarey matar, ca minha filha a mi cõvem de a casar commo perteeçe a minha hõrra ca nõ commo querem os cõdes.

197

E …criava aquelle don Afonso, neto del rey, o cõde don Pedro. E el rey nõ amava este cõde nem catava por seu siso. E entõ mandou chamar o arçebispo de Tolledo e todos os prellados que hy erã e fez cõ elles cõselho se daria sua filha por molher a el rey d'Aragõ. E elhes cõselharõlhe que a desse, ca segundo ella fora casada cõ o cõde dõ Reymõ, que melhor casada seeria del rey d'Aragõ.

199

capítulo dcxcv
Como se el rey d'Aragom apoderou de Castella

Após a morte do sogro, Afonso de Aragão veeose pera Castella cõ sua molher.

…E, despois que foi apoderado da terra, defendeua mui bem aos mouros …. Pero, temendose sempre que a egreja os mãdaria partir, elle e a reyna, por que erã parentes mui chegados e erã casados sen despensaçõ da egreja, e por esta razõ dava elle as fortalezas aos seus (e não aos de D. Urraca) que as tevesem.

200

capítulo dcxcvi
Como a rainha dona Urraca se partio del rey d'Aragom

Despois que foy morto el rey dõ Afonso e el rey d'Aragõ foy apoderado da terra, a reyna dona Urraca tolheu a terra ao cõde Pedro Ãçores que a criara, gradecendolhe mui mal o serviço que lhe fezera. E, por este atrevimento e outros semelhaviis que ella fazia, meteuha el rey en hu castelo que ha nome Castelar e mãdoua guardar. E elle tornou a terra a dõ Pedro Ãçures e elle fezelhe menajen por ella.

E a reynna, cõ despeito por que stava presa, fallou cõ os que a guardavã e mãdou a Castella por alguus e partiose do castelo. Mas os homens boos da terra nõ lho teverõ por boo recado por que se viinha a Castela sem prazer do seu marido e tornarõa pera la mui hõrradamente. E, proçedendo pello tempo en diãte, vio el rey que en nen hua guisa a reyna nõ queria seguir seu talãte; trouxea ataa Soyra e partiose della.

E, despois que ella foy en Castella, por cõselho do cõde dõ Pedro Ãçores fez cortes e pedio logo os naturaaes da terra que lhe desen as terras que tiinhã della. E elhes non ho negarõ; ante, por fazer lealdade e cõprir seu dever, derõlhas logo cada huu como as tiinha. E forom muy sanhudos, ca teverõ que lhes fezera el rey muy grãde desonrra en leixar asi sua senhora e de mais en dar as fortallezas aos da sua terra. E por esta razam enviarõlhe tornar vasalagem.

201

capítulo dcxcvii
Como el rey d'Aragõ lidou com os condes e ricos homens de Castella e os venceu

Estando os reynos de Castela e Leõ sen governador qual lhes era mester, os Castelãaos aviãse por muyto enjuriados del rey d'Aragõ por as razõoes que ja dissemos.

Por causa das lutas entre castelhanos e aragoneses pelo domínio das fortalezas, erã os reynos de todas as partes mal tragidos.

Mas conta a estoria en este lugar que, despois que a reyna se vio solta em Castela e o cõde dõ Gomez que ja trataua de casar cõ ella, avendo suas fallas em poridade, e ella cõsentiolho mas nõ era ja en razam de casamento. E o cõde, avendose por seguro que casaria cõ ella, pois que lhe dera seu amor, andava pello reyno por mayor e deitava da terra os Aragoneses quanto podia. Este conde ouve enna reyna huu filho que ouve nome Fernã Furtado.

E outrossy o cõde don Pedro de Lara ouve o amor della, en tal guisa que fez della o que lhe aprougue.

202

capítulo dcxcviii
Como el rey d'Aragom venceu os Castellãaos

…estãdo a batalha en tal estado, o cõde dõ Pedro de Lara leixou caer a syna da reyna enno cãpo e fugio da batalha cõ todos os seus e foise pera Burgos hõde stava a reyna.

…Desta guisa forom vencidos os Castelãaos por a grãde maldade do cõde dõ Pedro de Lara que fogio da batalha, por mal que queria ao cõde dõ Gomez por çiumes da reyna.

203

…E o cõde dõ Pedro de Lara ençarrouse com a reyna em Mõçõ e prendeu alguus cavaleiros de sua cõpanha. E el rey tornouse pera sua terra. E o cõde ficou cõ a reyna e, atrevendose enno fazimento que avia com ella, coidãdoa d'aver por molher pois que era morto o cõde dõ Gomez, meteuse ennos reynos por mayor e mãdava e regia commo rey.

capítulo dcxcix
Como os Castellãaos alçaron por rey dom Afonso

Veendo os nobres barõoes de Castella e de Leon o que o cõde dõ Pedro de Lara fazia e como sua senhora era por elle cayda en mui maao prez e desonrrada fama, querendo casar cõ seu vassalo, forn todos contra ella e nõ quiseron consentir que se fizesse tal casamento.

Decidem então eleger por rei Afonso VII:

E alçarõno logo por rey, nõ o consentindo a reynha sua madre nem o conde dõ Pedro de Lara; ante o contradiziam quanto elles podiã.

204

D. Afonso VII faz planos com os seus vassalos para prender a reinha e o conde:

E logo aquela noite, depois que todos se foron pera suas pousadas, ficou o conde soo com a reynha muy seguramente. E, depois que ouverõ ceado, non se guardãdo de tal cousa, entrou el rey dom Affonso per o paaço e prendeu logo sua madre e seu padrasto; e mandou logo levar sua madre pera as torres de Leon. E o conde, cuydãdo logo seer morto, fezlhe preito e menagem de nunca tornar a sua madre e que se partiria de sua terra e que nuca a ella mais verria em toda sa vida.

206

capítulo dcc
Como el rey dom Afonso de Castela soltou sua madre e da guerra que antr'elles ouve depois

Depois que el rey dõ Afonso reynou en Castella e Leõ, sacou da prison sua madre. E ouveron ambos antre sy tal aveença que retevesse ella pera sy o que lhe prouvesse e que o al ficasse a elle. Mas esta aveença non durou muyto, ca logo a reynha começou de fazer muyto mal na terra do filho, de tal guisa que ouve antr'elles grande guerra, ca ella, por as terras que tinha, ajuntou a sy mui grandes companhas. E, por teer que lhes dar, mandava tomar todollos ornamentos dos (/207) moesteiros e egrejas, assi como cruzes e calezas e todollos ornamentos com que servem os santuarios.

E chegou aa çidade de Leon e demandou aos monges de sancto Ysidro que lhe fezessem ajuda. E elles disseron que non tiinham que lhe dar. E ella, com grande sanha, mandou a seus cavaleiros que entrassem e tomassen quanto achassen. E os cavaleiros lhe disseron:

Senhora, entrade vós allo e dadenolo aca.

E ella, como mulher endiabrada chea de soberva, entrou dentro con suas donas e tomou quanto achou. E, en saindo con todo pella porta da egreja e teendo huu pee fora e outro dentro, quebrou per meo do corpo e morreo maa morte. E dizem que esto non foy per o tesouro que ella tomava, mas por que o queria per maaos husos e o degastar en desonrra de Deus, ca Deus mais se paga da alma de huu justo que de todos os metaaes que son sobre a terra. Mas por que ella cometeo grande soberva, deulhe Deus muy forte peendença.

E desta guisa morreo a raynha dona Orraca soterrarõna logo hy. E, quando cobriron o muymento, quebrou a cobertoira de çima per meo e nunca Deus quis que se aquelle muymento mais çarrasse e asy está.

214

capítulo dccv
Como e donde descenderom os reis de Portugal

236

…E entom foy comprida a maldiçõ que lhe lançou sua madre quando lhe disse que ferros lhe quebrassem as pernas e preso fosse como ella era.
 

e-text prepared by Rosa Pomar 9/29/96
e-mail: rosapomar@geocities.com



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